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terça-feira, 6 de outubro de 2009

É melhor pular essa aula!

Existem situações que é melhor a gente “virar a página” e esquecer o assunto! (literalmente).


Foi o que aconteceu em uma das minhas aulas para o 6º ano...

Nós estávamos estudando os “adjetivos”, mais precisamente, a formação das palavras e suas flexões. Não se preocupe, não é uma aula tradicional: os alunos aprendem de uma maneira contextualizada e fica mais atrativo. Então, resolvi comentar sobre uma matéria que saiu na revista “Língua Portuguesa”, da editora Segmento, que foi veiculada em setembro deste ano, sobre palavras primitivas e derivadas. Pois ainda existem muitas dúvidas sobre qual palavra veio primeiro, para a derivação.

Mas, quando falei da matéria da revista, disse que a imagem que ilustrava a reportagem era de uma galinha e um ovo, com a seguinte pergunta: “Quem veio antes?”

A sala, de repente, começou uma gritaria sem tamanho, uma discussão cheia de entusiasmo sobre se o ovo tinha surgido primeiro ou a galinha... E eu levei um tremendo susto, pois foi, para mim, inesperado!

A minha aula transformou-se em debate entre criacionistas e evolucionistas.

Retomar o foco foi difícil, devo ter atrapalhado a aula da Dani, ao lado da minha sala, mas toda aquela confusão serviu de experiência para a minha vida profissional. Aprendi que tudo tem a hora certa, e os meus alunos ainda não tinham maturidade para refletir sobre aquela reportagem...

O artigo, de Aldo Bizzocchi, doutor em Lingüística, faz uma crítica a um modelo ultrapassado de ensino da língua, em relação às palavras derivadas, pois as gramáticas ensinam a formação das palavras sem considerar a sua etimologia.


segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Se arrependimento matasse...

Ainda falando sobre o início de carreira e a falta de experiência...

 
Consegui aulas livres no Estado, em uma das melhores escolas da região. Turmas do 1º Colegial. Eu estava muito animada, cheia de ideias para desenvolver aulas interessantes, que prendessem a atenção dos alunos.

Tentava não ver as “caras feias” dos professores antigos da casa e continuava com a minha euforia.

Desafiei os alunos a escreverem uma peça teatral com base nas farsas de Gil Vicente, e adaptarem a situação para os dias atuais. Eram duas salas e cada sala foi dividida em quatro grupos.

O teatro aconteceu em um auditório apropriado, da própria escola. Os alunos tiveram acesso ao espaço com antecedência e arrumaram tudo.

As apresentações começaram e o primeiro grupo foi bastante aplaudido. Os grupos seguintes também tiveram uma boa performance, além de atenderem à proposta do que tinha sido pedido para o trabalho.

Mas o problema aconteceu com a última apresentação: os alunos não foram bem e como eu havia reservado o auditório e mobilizado alunos e alguns pais para assistirem à peça e a peça não tinha dado certo, tive a grande idéia ou “infeliz ideia” de convidar, na mesma hora, aquele primeiro grupo para apresentar novamente no lugar do grupo que tinha ido mal...

Sem querer, provoquei um clima tenso, pois eu desmereci um grupo e exaltei outro. Isso me custou muitas caras feias e um ambiente pesado até o fim do ano, além da “rixa” entre os grupos.

O que eu deveria ter feito?

Hoje, com a experiência que tenho, sei que deveria ter incentivado, que deveria ter elogiado, mesmo que não tivesse dado certo; afinal, é muito difícil para adolescentes adaptar uma peça teatral, confeccionar cenários, conseguir figurinos e ainda “dramatizar”... Deveria ter pedido que apresentassem novamente, claro que depois de algumas orientações minhas...

Se arrependimento matasse, eu não estaria aqui contando isso para você agora...

Aprendi, depois de tudo isso, a respeitar o sentimento do próximo, até mesmo a sentir as mesmas dores de decepção e derrota... Meu pedido de desculpas não apagou o que aconteceu... E até hoje, quando encontro alguém daquela época, eu me envergonho.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Meu primeiro dia de aula

foto Mariah
Comecei a minha carreira na área da Educação em 1998. Lembro-me como se fosse ontem: “amarelei” na hora de entrar na minha primeira aula como professora. Senti-me como aqueles calouros em programas de auditório que entram correndo no palco porque são empurrados.

Ah! Como precisei daquele “empurrãozinho”.

Todos aqueles olhos em cima de mim... Pensei até em desistir, pois a prática não parecia nada nada com a teoria. Mas isso passou, com o tempo acabei me acostumando a ficar na “berlinda”.
O que posso dizer dessa primeira experiência é que os alunos são muito espertos. Logo na primeira atividade que eu pedi para fazerem em casa, “todos fizeram”, e eu achei aquilo o máximo!

A alegria durou pouco, pois logo uma aluna me procurou para me alertar que eram as mesmas folhas que vinham para eu verificar... E eu ali, anotando no diário que todos tinham feito...

Resumindo: pela a minha falta de experiência, eu não “vistava” as folhas. Então, depois de ser avisada, descobri que, na verdade, apenas cinco alunos tinham feito a atividade e as folhas iam e voltavam para as minhas mãos. Santa ingenuidade!

Hoje, tenho olhos de abelha e ouvidos biônicos, além de os meus carimbos serem lindos... Nada me escapa!