Saramago: a palavra com-paixão
07-Jul-2010 | |||
![]() “A vida é breve, mas cabe nela muito mais do que somos capazes de viver.” José Saramago Se não me tocassem tão fundo “coisas” mais sensivelmente humanas na vida e na obra de Saramago - estas duas porções irmãs que nele nunca se separaram -, eu poderia iniciar esta breve homenagem dizendo que ele foi o único escritor em língua portuguesa premiado com o Nobel de Literatura. Não o faço e nem Saramago faz tanta questão dessa minha menção ao título por ele tão merecidamente recebido. De José Saramago - nascido na pequena aldeia portuguesa de Azinhaga em l6 de novembro de 1922 e provisoriamente morto na ilha espanhola de Lanzarote em l8 de junho de 2010 - prefiro e sou plenamente motivado por ele a falar da sua expressividade maior: a palavra “com-paixão”. E a palavra compaixão é utilizada aqui no sentido etimológico de comunhão de sentimentos, com especial empatia desse nosso letrado irmão português pelos desvalidos, pelos operários, pelos povos nativos, pelas crianças, pelo povo palestino, pelas mulheres oprimidas, pelos animais, num obstinado trabalho político e literário pela paz e por todos os segmentos sociais injustiçados e exilados do seu próprio “direito de ser”. Diz Saramago como palavra de lei: “Os deveres humanos são sempre deveres em relação aos outros, sobretudo, pois cada um de nós é responsável por todos.” Esta marca ideológica da sua obra, em que ateísmo e marxismo se mesclam de um apelo algo “religioso” pelo intenso sentimento de compaixão, está presente desde o seu primeiro romance, Terra do pecado, até a sua última narrativa, Caim, sempre em clima de polêmica que provoca nos leitores uma legião de admiradores e não poucos olhos de recusa e até de rejeição, provando que “literatura de verdade” é sempre universo de inquietações. Como declara comovidamente o cineasta Fernando Meirelles, “o mundo ficou ainda mais cego” sem Saramago. Eu prefiro dizer que, escrita com paixão, a literatura de Saramago é palavra que “salva” porque extrai do seu lúcido e criativo “inventário sobre a cegueira humana” uma eterna promessa de luz. E o que se pode desejar mais de um escritor que, se confessando ateu, abre mão de qualquer sentido de transcendência e elege, como única matéria prima de toda sua obra, “o homem aqui e agora”, para extrair de um ceticismo lúcido ou de um pessimismo crítico, sob o signo da palavra amorosamente trabalhada, vozes que ainda clamam pelo sentido humano de cada um de nós, motivando e iluminando os seus leitores com “a melhor palavra de Deus”. |
Oi Chris, fiz o comentário dessa postagem na postagem abaixo - sala de leitura ...rsrsrs
ResponderExcluirLeia lá ok. Beijinhos....
Querida amiga.
ResponderExcluirSaramago nos deixa órfãos
de uma literatura que semeia ideias,
principalmente hoje,
tempo de tantos bruxinhos e vampiros.
Parabéns pelo retorno.
Os bons devem sempre estarem a vista,
para que a luz se faça.
Dias de paz para ti.
Olá, passando para agradecer pela sua visita ao meu blog.
ResponderExcluirCompartilhamos a mesma paixão pela sala de aula.
Bjs
Luisa Dizioli
Olá!!
ResponderExcluirObrigada por seguir meu blog. Será um prazer acompanhar o seu também! Sou estudante de Letras, e acredito que suas opiniões serão fundamentais!
Bjo
Mônica
http://crasesemcrise.blogspot.com
Obrigada pela visita, é bom quando agente encontra pessoas que acreditam e sabem fazer educação. Como escreveu Aluisio Cavalcante Jr.: "Os bons devem sempre estarem a vista,
ResponderExcluirpara que a luz se faça".
Que Deus a abençõe para todo o sempre.
Alzaí Amorim
Chris, deves estar aproveitando as férias, mas não vejo a hora de ler as novidade por aqui.
ResponderExcluirBeijoooooooooosssss.
Querida amiga Maria Cristina
ResponderExcluirHoje estou passando para agradecer
a sua amizade.
Amizade que torna a vida preciosa.
Que enche de cores as minhas palavras.
Que me faz ainda mais feliz,
com o afeto distribuído
a cada visita,
a cada comentário
e a cada palavra escrita
no livro dos meus dias.
Sua amizade me faz melhor.